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  • Jordana Schneider

Entrevista com a Edi Reis

Há pessoas que nos inspiram lindamente, a Edi é uma delas. Para quem aí que ainda não a conhece, vou resumir brevemente: A Edi Reis é uma da pioneiras do Pole Dance no Brasil, e é tão legal a história que vale a pena entrar no instagram dela e assistir os videos em que ela explica como ela e outras amigas montaram o próprio local de treinamento e tentavam fazer e aprender movimentos sozinhas. Ela é hexa campeã brasileira no Campeonato Brasileiro de Pole Sports, conquistou o 3º lugar no mundial em 2016 e 2018, e em 2019 o 1º lugar no Mundial que aconteceu no Canadá. Isso mesmo, ela é a atual campeã Mundial de Pole Artístico, tudo isso aos 54 anos (falar de idade é indelicado, mas é pra esfregar na cara de muita gente que se acha velho demais pro Pole).



E o blog, através da fofa da Nai teve o privilégio de conseguir falar um pouco com ela. Tudo isso só foi possível quando a Nai resolveu ir para São Paulo fazer a capacitação com a Edi e se ofereceu (pq ela é boa assim de coração) a fazer umas perguntinhas pro blog! Pois bem, a Edi respondeu tooodas e ainda manteve contato comigo através do Insta, Um beijo, sua linda!! E para não ter risco de perder ou entender mal alguma informação, vou deixar em forma de entrevista mesmo (tipo revista Veja rsrsrs).



1)(PDI) Quem era a Edi antes do Pole?

(Edi Reis) A Edi antes do Pole era gerente de Recursos Humanos. Trabalhei 16 anos nessa área em várias multinacionais, como Rede Globo estado de São Paulo, Arthur Andersen, Deloitte, todas empresas boas. Focando no inglês e tentando virar uma executiva. Porém gordinha.


2)(PDI) Enquanto a paixão pelo Pole surgia, quem era a sua inspiração?

(Edi Reis) Na verdade, como eu comecei antes de muita gente eu não tinha uma pessoa de inspiração aqui no Brasil. Minha inspiração era Felix Cane da Austrália, depois que eu já fazia Pole passei a ser muito fã da Rafaela Montanaro porque ela veio competir em 2009 e ganhou o Campeonato Brasileiro e ganhou o Campeonato Sul Americano em 2009. Então eu sou muito fã dela até hoje, é uma inspiração para mim.



3)(PDI) Qual foi a reação da sua família mais próxima quando souberam do Pole Dance?

(Edi Reis) Então, nessa parte foi o seguinte... Eu namorava uma pessoa na época (um relacionamento de 8 anos, era bastante tempo) que perguntou pra mim "Por que que você quer tanto fazer Pole Dance?" e eu respondi "Porque eu quero ser puta!". Na verdade, deu uma briga muito grande que a gente até se separou, pois eu fiquei indignada de ele me fazer uma pergunta dessa com tanto preconceito sendo que ele sabia muito bem que era pela atividade física. Quanto aos meus filhos, os dois sempre me apoiaram muito e acham incrível a minha trajetória, sair do sedentarismo para chegar a ser atleta. Minha filha muito mais sempre por ser menina, eu acredito, meu filho super me apoia mas não posta coisas minhas.


4)(PDI) No seu IG do Instagram, você contou que saiu da capacitação chorando por não conseguir executar os movimentos. Que recado você dá para as pessoas que estão se capacitando com você para tornar esse processo mais fácil?

(Edi Reis) Na minha primeira capacitação, eu fiz num fim de semana os três módulos, básico, intermediário e avançado, e realmente saí chorando de lá pois não consegui executar nem um terço dos movimentos. Eu também estava muito acima do peso, não praticava Pole há tanto tempo assim. Quando eu dou a capacitação, tento fazer com que a pessoa pessoa faça num dia o módulo básico, no outro o intermediário e no outro o avançado, pra que ela tenha um período de descanso entre os módulos, Normalmente as meninas que vem hoje fazer o curso de capacitação já fazem Pole, diferente de mim que na época não fazia absolutamente nada pois treinava sozinha e sabia fazer muito poucas coisas. Mas eu entendi uma coisa muito importante, saí chorando dessa capacitação porém eu saí com muita informação, muito conteúdo. Então hoje, a minha coisa que eu digo ao começar é que você não é obrigada a executar todos os movimentos que vamos aprender na sala e sim, pegar a técnica para ensinar! E foi baseado nas técnicas que eu aprendi naquela época e evoluí tanto.



5)(PDI) Tanto no seu IG do Instagram quanto aqui na entrevista, você comentou sobre treinar acima do peso. Você acha que isso influencia no rendimento da pessoa? Você acha que isso é um impeditivo para a prática?

(Edi Reis) Estar acima do peso é óbvio que vai tornar todos os movimentos mais pesados, você tem que fazer uma inversão, você tem que subir e levar o seu peso, porém não há nenhum motivo pra desistir de absolutamente nada. E também a gente vai ficando mais forte a ponto de nem perceber a perda de peso, quando você vê já emagreceu. E isso aconteceu comigo, quando dei por mim eu já tinha perdido muito peso e me motivou a comer melhor não para perder mais peso, mas sim para ficar mais disposta para o Pole Dance.


6)(PDI) Você teve que enfrentar e ainda enfrenta preconceito por causa do Pole?

(Edi Reis) Já tive várias experiências com preconceito. Além do meu ex-namorado que foi preconceituoso, eu enfrentei um preconceito até que recente pois foi quando abri o meu estúdio no Alphaville (SP) . Um homem que tinha uma sala na frente do estúdio queria fazer uma reforma e ele veio me perguntar se ele poderia fazer barulho na porta e se não ia atrapalhar eu atender os meus clientes. E eu fiquei com vontade de pular com os dois pés no peito dele, mas expliquei para ele que eu tinha alunas meninas que faziam aulas em vários horários e que nenhum barulho atrapalharia a aula pois usávamos a música bem alta também. Então acho que depois disso ele foi procurar saber o que era o Pole Dance e num futuro não muito distante ele me pediu desculpas. Eu acho que para as meninas que vão praticar, se elas amam o esporte, o que importa o que o que os outros pensam? Eu acho que temos mais que fazer o que a gente ama e deixar pra lá o que as pessoas pensam. Como diz a minha avó, o que eu penso só diz respeito a mim. Então deixe eles com o preconceito deles e faça o que você ama.



7)(PDI) Você pensa em ser treinadora de atletas de Polesport?

(Edi Reis) Eu estava com um estúdio recentemente mas o vendi no início de 2019 para uma aluna minha que é maravilhosa e está fazendo o estúdio bombar, o estúdio continua sendo um super sucesso. Eu tenho outros sonhos, prefiro e amo ensinar mas adoro pessoas que não estão ali no meu dia-a-dia. Prefiro pessoas que vêm para um workshop, quem vem com toda a garra, toda força, toda vontade de sugar tudo o que ela puder de aprendizado, tenho paixão por esse tipo de ensino. Descobri que para essas aulas regulares não tenho muita paciência, na verdade não sei se essa é a palavras, mas sinto que elas não valorizam a atleta que eu sou pois me tem lá todos os dias. Estou me dedicando muito na formação de novos profissionais pois acho que é incrível eu poder passar a minha técnica e ter esses novos profissionais a aplicando em sala de aula. Acho que todos ganham com isso, tanto a pessoa que está aprendendo comigo quanto a aluna desse profissional que é novinha, assim não subestimamos o que ela possa fazer mas também não a jogamos de cabeça para baixo no primeiro dia de aula. Vejo muitas coisas erradas acontecendo por aí e sempre penso que essa pessoa poderia fazer um curso comigo. E quando dou uma aula particular para uma pessoa que quer competir, isso me motiva também, porque eu entendo bastante de competição. Todas as competições que eu participei, eu mesma montei a coreografia, li o regulamento e fiz tudo por mim. Tive sim a ajuda de algumas pessoas pois eu pedi ajuda, e pedir ajuda é fantástico pois quer dizer humildade. Então vou me dedicar a isso por enquanto, e se eu montar um centro de treinamento novamente vocês ficarão sabendo.




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